Temas - Impunidade


Por que o policial que arrisca a vida não é tratado como herói no Brasil?

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O policial já havia respondido mais de dez processos na comarca onde trabalhava; uma região da periferia de uma capital violenta no Brasil.
As denúncias versavam sobre queixas de criminosos que ele prendera em flagrante e até pela morte de bandidos em confronto armado.
Apesar de ter sido absolvido em todas as ações, porque provou inocência, seu cotidiano era estressante; as despesas com advogados que o representavam eram altas; sua esposa vivia preocupada com o risco de o marido, tão dedicado à profissão, ser exonerado do cargo em virtude de qualquer condenação. Ainda restava um processo em curso, no qual um assaltante havia alegado inocência, imputando ao policial a "culpa" pela prisão, supostamente, indevida.
Por ser bastante conhecido no Fórum, logo no início da audiência o Juiz criminal, em tom de brincadeira, comentou que o policial, ora réu, já havia se tornado "cliente assíduo", muito embora não tivesse sofrido qualquer condenação.
Durante o interrogatório, o policial, serenamente, respondeu aos questionamentos, e ao final, perguntou ao magistrado se poderia fazer uma observação.
O Juiz respondeu afirmativamente, então, com o coração apertado e magoado, desabafou:
"O senhor sabia que além de mim, existem outros 90 policiais nesta cidade? Acredito que não conheça nem metade deles, alguns porque, apesar do juramento que fizeram, optaram por levar uma vida menos arriscada, sem embates, sem acusações, sem audiências em seus dias de folga e sem stresse. Outros, ao perceberem o caminho inevitável pelo qual estavam seguindo e o descaso da sociedade para com nossa polícia, simplesmente desistiram da guerra. Mas saiba, que daqui pra frente o senhor não irá mais receber minha visita, pois hoje mesmo vou requerer transferência para serviço administrativo, passarei a manusear papeis e carimbos ao invés de arma de fogo e algemas”.
Recentemente, câmera de segurança registrou policial militar, à paisana, entrando em loja de conveniência de posto de gasolina no exato momento que um assaltante apontava arma para o caixa e exigia todo o dinheiro. O destemido miliciano sacou sua pistola e atirou contra o bandido, em razão da chamada legítima defesa de terceiro e o matou.
Durante a ação, um segundo bandido atirou contra o miliciano, acertando sua perna. Mesmo mancando, o policial correu atrás do comparsa, que se evadiu do local.
Na delegacia, após ser medicado, o valente policial foi abordado por um repórter que perguntou:
“Por que o senhor matou o marginal? ele tinha apenas 20 anos. Não podia ter atirado na perna dele? Foi preciso atirar para matar?”
Amigo leitor, para finalizar este artigo, deixo um pensamento de autor desconhecido:
“Para que o caos se instale basta que o homem de bem nada faça”.

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