Temas - Impunidade


Síndico: como lidar com o morador cri-cri

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Ao ministrar palestras sobre segurança em condomínios, algumas vezes me deparei com moradores que parecem estar de mal com a vida. Antes de começar o evento, geralmente, sou alertado pelo síndico ou conselheiro sobre o problema que a administração tem enfrentando com o chamado condômino “cri-cri”.
Costuma ser um morador antigo do local, que não está aberto a novidades, tem perfil fiscalizador, sua opinião jamais pode ser contrariada e, dificilmente, volta atrás em seu posicionamento, mesmo estando claro que errou.
Percebi também que o morador “cri-cri”, na maioria das vezes, vai à reuniões sozinho e costuma sentar no fundo da sala. Parentes já sabem que ele vai gerar polêmicas e por isso preferem evitar desgastes com vizinhos.
O rosto se apresenta de forma carrancuda e nas mãos parece carregar pesadas pedras, prontas para serem lançadas no momento ideal. Já tem estratégias elaboradas com dois intuitos:

  1. Prevalecer sua vontade através de argumentos infundados ou pela intimidação
  2. Não obtendo receptividade dos demais pares, promove tumulto com objetivo de desestabilizar o ambiente para que não haja votação.

Em uma apresentação onde explicava o funcionamento da chamada “Portaria Virtual”, um morador levantou a mão e foi logo falando em voz alta:

“Quero avisar a todos que os prédios que implantaram esse tipo de atendimento à distância tiveram desvalorização no imóvel de 50%”.
O bochicho na sala estava formado, pois é óbvio que nenhum dos moradores gostaria de ter tamanho prejuízo. Então, perguntei ao “cri-cri”:
“Por gentileza, aonde o senhor obteve esse dado, pois desconheço completamente a veracidade dessa informação?”
O morador levantou da cadeira e retrucou:
“Fiz pesquisa na internet antes de vir para a reunião e encontrei vários estudos nesse sentido”.
Imediatamente entrei na rede mundial de computadores, e através do data show, comecei, na frente de todos os presentes, a procurar a tal informação. O silêncio tomou conta do salão de festas. É óbvio que não encontrei nada a respeito sobre a desvalorização, muito pelo contrário, diversas matérias salientavam que após implantação da portaria virtual, os apartamentos valorizaram por dois motivos:

  1. Melhoria no nível de segurança do edifício
  2. Diminuição da taxa condominial.

Portanto, oferto algumas dicas para síndicos e administradores lidarem com profissionalismo com o chamado morador cri-cri:

a) Tenha sempre em mãos argumentos sólidos e comprovados por especialistas e faça com que todos os moradores tenham acesso a essas informações.
b) Registre em ata possíveis acusações e agressões verbais para que os prejudicados possam usar, se necessário, como meio de prova na polícia ou justiça.
c) Em casos extremos, é importante filmar a reunião e até contratar segurança privada, se os ânimos estiverem acirrados. Há relatos de ocorrência de vias de fato e até agressões entre moradores.
d) Se porventura o morador insatisfeito propagou e-mail ou mensagem via celular denegrindo a imagem do administrador ou levantando suspeitas sem provas contra a gestão do síndico, é de suma importância que o departamento jurídico do condomínio seja acionado para tomar as medidas judiciais e policiais cabíveis.

Fiquei sabendo que em um prédio antigo no centro de São Paulo havia morador que tinha o hábito de dizer que o síndico levava 10% de comissão em tudo que comprava, mas não apresentava uma prova sequer. Um funcionário do prédio, cansado de tanta injustiça, conseguiu gravar pelo celular as acusações. O síndico, quando ouviu a gravação, ficou revoltado e dirigiu-se, imediatamente, à delegacia local, registrando queixa contra o morador em razão de crime de calúnia.
Ao receber notificação para comparecer ao distrito, o cri-cri, humildemente, procurou o síndico, implorou desculpas e prometeu que nunca mais iria atrapalhar sua administração.

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